Educar para a Sustentabilidade

A educação é o maior poder que uma sociedade pode ter. E quem o menospreza não está a aproveitar o seu melhor recurso para mudar o futuro. Basta olhar para o que tem vindo a acontecer nos Estados Unidos, para perceber o quanto é importante acreditar num mundo melhor que começa na escola, depois em casa e, por consequência, na sociedade.

O relatório The Treasure Within, publicado pela UNESCO, enfatiza tanto os propósitos para a educação do século XXI como os resultados dos vários tipos de escolaridade que devem ser valorizados nos sistemas educacionais em todo o mundo. É importante percebermos o que queremos que os nossos jovens “sejam” como resultado da sua educação e definir um percurso para que isso aconteça.

Aprender não deve ser apenas um ato do momento, mas sim algo que devemos ser capazes de exercitar durante toda a nossa vida. Se considerarmos seriamente o desafio de educar os alunos para este século, devemos desenvolver as suas capacidades de pensamento com um repertório de habilidades e estratégias de colaboração e de ação para abordar questões que os preocupam e que preocupam as suas comunidades. Além disso, queremos alunos que pensem de forma consciente e criativa para enfrentar desafios com os quais se possam confrontar no futuro. Queremos alunos que cultivem a curiosidade e a sensação de querer saber, e mostrem resiliência face a desafios e incertezas.

É por isso que os países desenvolvidos começam a privilegiar a experiência como método de ensino. Porque os testes de papel e caneta que conhecemos não são suficientes para avaliar a aquisição de conhecimento dos alunos e não nos ajudam, como sociedade, a adquirir as capacidades que ambicionamos. A aprendizagem do futuro abrangerá certamente algo mais do que a aquisição tradicional de conteúdo. Será uma mistura rica de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que educam o futuro da nossa sociedade. Devemos, por isso, tornar a educação uma ferramenta relevante para ajudar as pessoas a viver uma vida melhor e, o mais importante, capacitar-nos para moldar o mundo onde querermos viver.

O Projeto_80 nasceu com esse propósito. Numa altura em que a sustentabilidade e o ambiente dominam a agenda e têm especial destaque na educação, apresenta-se como uma ferramenta das políticas públicas nestas áreas, com o objetivo de sensibilizar os jovens entre os 13 e os 18 anos para a educação ambiental para a sustentabilidade e para a educação para a cidadania, através da motivação do empreendedorismo e associativismo juvenis nas suas escolas e comunidades.

É uma iniciativa da Agência Portuguesa do Ambiente, Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, Direção-Geral da Educação, Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, Instituto Português do Desporto e Juventude, Quercus e Green Project Awards. Nasceu em 2013 e já envolveu mais de 600 escolas e chegou a mais de 480 mil alunos. E é, no terreno, uma ferramenta estratégica para a concretização das medidas preconizadas na Estratégia Nacional de Educação Ambiental e na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, que visam a formação do indivíduo como cidadão participativo. Daqui já saíram ideias premiadas, que não só criaram uma nova dinâmica nas escolas e nos municípios aos quais pertencem, como também na sociedade onde se inserem, e na motivação dos próprios jovens como empreendedores e pessoas mais conscientes para as áreas do ambiente e da cidadania.

O projeto distinguido no ano passado na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, é um bom exemplo. Um compostor em cortiça, pensado e criado pelos alunos, que transforma a matéria orgânica do lixo em adubo orgânico que está a ser utilizado na escola. Um projeto que procurou uma solução para um problema real: o facto de todos os anos os portugueses deitarem para o lixo um milhão de toneladas de alimentos, cada um desperdiçando em média 132 quilos de comida. Claro que a compostagem já existe e contribui fortemente para o desenvolvimento sustentável, mas é maioritariamente feita em contentores de plástico, o que não deixa de ser paradoxal. A cortiça foi uma ideia destes alunos que poderá mudar o futuro.

Nesse ano, pela primeira vez, professores portugueses podem concorrer ao Global Teacher Prize, um concurso mundial que oferece um milhão de dólares ao docente que dê um contributo extraordinário à profissão e à comunidade. Vale a pena apostar em projetos e métodos diferenciadores, educar para a sustentabilidade, a responsabilidade e consequentemente um mundo melhor.