Deco: transportes públicos ineficazes em seis cidades

A maioria dos portugueses aponta o dedo à ineficiência da rede de transportes públicos, revela a Deco/Proteste no inquérito sobre mobilidade em Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa e Setúbal. Análise incidiu sobre utilização de autocarro, automóvel e metro.

O automóvel ainda é o meio recorrente para chegar mais rapidamente ao destino e escapar a um sistema “lento e com muitas falhas”, defende a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco). A conclusão de que os transportes públicos são “ineficazes”  surge após  um inquérito desta associação sobre mobilidade em seis cidades portuguesas

“Para a maioria dos cidadãos das seis cidades que responderam ao nosso inquérito, a justificação é a falta de uma rede de transportes públicos que responda às necessidades reais”, avança a Deco, dando que 84% dos inquiridos afirmam que, se os transportes melhorassem, utilizariam menos o automóvel.

A grande limitação desta última opção, acrescenta a associação, são os engarrafamentos: 64% dos inquiridos que vivem em Lisboa e 63% dos moradores do Porto, que se deslocam de carro, enfrentam-nos, pelo menos, uma vez por semana.

Segundo a Defo/Proteste, Lisboa é a cidade com menor nível de satisfação na lista das seis cidades (que inclui ainda Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Setúbal). Numa escala de 1 a 10, a capital de Portugal recebeu uma avaliação de 5,5, logo seguida do Porto (5,6), Coimbra (5,9), Aveiro (6), Setúbal (6,3) e Braga (6,4) no total de reclamações na plataforma queixas dos transportes.

A associação dá conta que a capital acusa os maiores problemas com a utilização do automóvel.

Entre novembro e dezembro de 2017,foram ainda enviados questionários em papel a uma amostra da população, tal como fizeram as suas associações congéneres em Espanha e Itália. No total, foram recebidas  4.412 respostas válidas, das quais 754 de Portugal.

Rede de transportes não satisfaz

Os dados do estudo da Deco revelam que a tónica é semelhante nas seis cidades analisadas (Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa e Setúbal): os inquiridos demonstram pouco entusiasmo com a rede de transportes. Braga surge em primeiro lugar, mas a interpretação justa é de que, nesta cidade, a insatisfação é um pouco menor do que nas outras.

Já Aveiro, diz a Deco, está na base do ranking, demonstrando uma satisfação abaixo da média das cidades apreciadas. “Além disso, a cobertura dos transportes não corresponde às necessidades de mobilidade e o custo é considerado exagerado”, acrescenta a Deco, concluindo que, globalmente, os inquiridos estão pouco satisfeitos com a oferta de transportes públicos.

O estudo da Deco conclui ainda que não são as preocupações com o ambiente ou as questões de segurança que coagem os indivíduos a optarem pelo meio de transporte quotidiano. “Tempo, preço e conforto comandam, por esta ordem, a escolha do transporte”, avança a associação.

Metro do Porto com nota positiva

Segundo dados do inquérito da Deco, o horário, a frequência e a pontualidade (que atinge níveis de satisfação de 9, num máximo de 10) do metropolitano são bastante apreciados no Porto. Os utentes portuenses evidenciam uma “franca satisfação”, diz a associação, também com o conforto e a segurança no que toca a acidentes.

“O metropolitano da Invicta reúne um coro de vozes francamente positivas”, conclui a Deco/Proteste.

Fonte: Jornal Económico